Agricultura regenerativa: caminho para a produção sustentável

Em evento do IICA, o professor Rattan Lal defende uma nova Revolução Verde baseada na saúde do solo
Foto mostrando uma área agrícola após plantio direto e cobertura vegetal do solo, uma técnica de agricultura regenerativa. Crédito: Sistema CNA/ Senar. AgroReset
  • O professor da Universidade Estadual de Ohio, Rattan Lal, defende a agricultura regenerativa como meio de produzir alimentos saudáveis em escala preservando o meio ambiente;
  • Para o cientista, o mundo deve passar por uma nova Revolução Verde baseada na saúde do solo que neutralize as emissões de carbono.

“Hoje em dia questiona-se a agricultura. Mas não podemos deixá-la de lado porque é essencial para a nutrição da humanidade e precisamos dela. A agricultura tem que ser uma solução; de nenhuma maneira pode ser um problema”, afirmou o cientista do solo Rattan Lal em evento online realizado em março pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e pela Pepsico. Para ele, o caminho para aliar a produção de alimentos à preservação do meio ambiente é a agricultura regenerativa.

A agricultura tradicional esgota o solo dos seus recursos naturais e emite dióxido de carbono na atmosfera. Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA), órgão federal do governo dos Estados Unidos da América, as práticas agrícolas convencionais são responsáveis por aproximadamente um quarto das emissões globais de gases estufa.

Como solução para esse problema, décadas atrás Rattan Lal foi um dos responsáveis por iniciar o movimento que ficou conhecido como agricultura regenerativa. E que pode ajudar a solucionar desafios globais como as mudanças climáticas, segurança alimentar e qualidade da água. Assim, concilia dois desafios globais: produzir alimentos saudáveis em escala e restaurar ecossistemas deteriorados.

“Uma Nova Revolução Verde”

Lal defende que o mundo passe por uma nova Revolução Verde baseada na saúde do solo, do qual depende não apenas a segurança alimentar e nutricional da humanidade, mas também a qualidade do ar, a purificação da água, o sequestro de carbono e a conservação da biodiversidade.

Para ele, essa mudança passa por uma agricultura que aposte em inovação ecológica, apoiada em fontes de energia que neutralizem as emissões de carbono. E disso depende a produção de alimentos saudáveis em escala para um mundo em que há milhões de pessoas mal nutridas ou passando fome, realidade que tem sido agravada pela pandemia da Covid-19.

Enfatizou também a eficiência na gestão de recursos. A recuperação dos solos degradados leva a um aumento da produtividade, possibilitando produzir a mesma quantidade de alimentos com menos recursos.

“Globalmente, hoje existem uns 5000 milhões de hectares dedicados à agricultura. Precisamos de tanta terra? Eu acho que não, é muito. Se a gestão for boa, podemos devolver alguma terra à natureza,” afirmou.

Agricultura regenerativa na prática

Para Lal, é preciso abandonar a agricultura baseada no uso de combustíveis fósseis, o que acontece pela ação de fertilizantes e pesticidas, por exemplo.

Ainda de acordo com o cientista, a agricultura regenerativa inclui técnicas que ajudam a conservar e regenerar o solo, como, por exemplo, o plantio direto, a reutilização de resíduos das colheitas como adubo natural, o uso de culturas para cobertura vegetal, o manejo integrado de pragas, a rotação de cultura e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Pode-se incluir nesse rol, também, os Sistemas Agroflorestais (SAFs).

O solo e a sociedade

Na visão de Lal, há um forte laço entre o solo e a saúde humana. Isso porque a degradação do solo tem como consequências a degradação de espécies vegetais e animais, e, por consequência, das condições de saúde das pessoas.

“Quando o solo é pobre, as pessoas são pobres,” advertiu Lal, explicando que a produção agropecuária deve aplicar o que ele chamou de lei do retorno: “devolva tudo o que você tira do solo e cuide com sabedoria de qualquer coisa que você tenha mudado. Tente predizer o que vai acontecer amanhã. Produza mais com menos.”

Quem é Rattan Lal?

Considerado uma das maiores autoridades mundiais em ciência do solo, o cientista é professor da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos. Em 2007, foi co-laureado com o Prêmio Nobel da Paz, em 2007, como integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU). É também embaixador da boa vontade do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), no qual recebeu o Prêmio Mundial de Alimentação em 2020.


Foto: Área agrícola após plantio direto e cobertura vegetal do solo. (Sistema CNA/ Senar).

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