Rios Voadores: o que são e por que o agronegócio precisa deles

Conheça o fenômeno que se origina na Amazônia e causa metade das chuvas no centro-sul, irrigando lavouras
rios voadores na amazônia
  • Rios voadores são grandes massas de vapor de água carregadas por correntes de ar que cumprem um papel no equilíbrio climático
  • No Brasil, um importante rio voador surge na Amazônia e é responsável por chuvas que irrigam as lavouras no centro-sul;
  • Portanto, a conservação da floresta amazônica é vital para o agronegócio brasileiro;
  • Uma maneira de contribuir para a conservação da Amazônia é a bioindústria florestal.

Você já ouviu falar em rios voadores (ou flying rivers)? Sabe qual é a sua importância para o equilíbrio ecológico e o agronegócio brasileiro?

Nesse artigo você entenderá como esse fenômeno meteorológico que surge na Amazônia afeta as regiões centro-sul do Brasil e até mesmo o Uruguai, Paraguai e Argentina, assim como a produção agrícola dessa região. E também como são importantes para o agronegócio, que se beneficia da preservação da floresta amazônica.

Entendendo os rios voadores

Rios voadores são o nome popular para o que tecnicamente se chama de “jatos de baixos níveis”. São gigantescas massas de vapor de água carregadas por correntes de ar em uma altura de até 2 km de altura. E são responsáveis por boa parte das chuvas que acontecem em grande parte do mundo.

No Brasil, o principal rio voador surge no oceano Atlântico, na linha do Equador. Para se ter uma ideia da sua dimensão, quando ele chega do oceano tem uma vazão equivalente à vazão do rio Amazonas. Impressionantes 200 milhões de litros por segundo. Ao chegar na floresta amazônica, quase dobra de volume. Pois, ao mesmo tempo em que irriga a terra ao se precipitar como chuva, absorve a umidade gerada pelo processo de evapotranspiração das árvores da região.

Dessa forma, o rio é sempre recarregado. Para se ter uma ideia, calcula-se que as árvores da Bacia Amazônica produzem 20 bilhões de litros de água todos os dias, sendo parte dela evaporada e absorvida por ele.

Essa massa de umidade então ruma para oeste, onde se depara com a cordilheira dos Andes, que forma uma barreira de mais de 4 km de altura, como se fosse uma represa. Lá, cerca de 60% do vapor fica acumulado sob a forma de neve. Ao derreter, a neve contribui com a formação de córregos que, em seguida, formam os principais rios da bacia amazônica, como o próprio rio Amazonas.

Os 40% restantes do vapor descem na forma de rio voador pelas regiões centro-oeste e sul do país até chegar no Uruguai, Paraguai e norte da Argentina. Parte dele é absorvido pelas florestas e a outra parte ajuda na formação de nuvens gigantes que precipitam em forma de chuvas. Mais da metade das chuvas nas regiões centro-oeste, sudeste e sul são causadas justamente por esses rios voadores da Amazônia.

Preservar a floresta amazônica é proteger o agronegócio

Como dito acima, mais da metade da chuva na região centro-sul do Brasil é causada pelos rios voadores que se originam na floresta amazônica. São fundamentais, por exemplo, para abastecer as represas que geram energia hidrelétrica e os rios terrestres. E, é claro, irrigar as lavouras dos produtores agrícolas. Isso demonstra o valor financeiro que a floresta amazônica gera por meio dos rios voadores, que são ao mesmo tempo um ativo e um serviço ambiental de grande valor.

Porém, o desmatamento afeta esse processo de formação dos rios voadores e causa mudanças climáticas. Por exemplo, sem a floresta amazônica os rios voadores vindos do oceano chegariam mais rapidamente ao continente e aumentariam o risco de tempestades severas na região sul. Além disso, a retirada da floresta diminuiria as chuvas na Amazônia em 15% a 30%, e reduziria o volume de chuvas no sul e na Bacia do Prata.

Isso não é apenas hipotético. O Operador Nacional do Sistema Elétrico já alertou que está chovendo menos em todas as regiões do país. Entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, os reservatórios de água espalhados pelo Brasil receberam o menor volume de chuvas desde o início da série histórica, há 91 anos. A situação é mais preocupante justamente nas regiões sudeste e centro-oeste, que concentram 70% dos reservatórios.

Tudo isso prejudicaria a sociedade como um todo e o agronegócio em particular. Portanto, o desmatamento da Amazônia ameaça a produção, a segurança alimentar e a economia brasileira, da qual o agronegócio é o grande motor, responsável por 25% do PIB em 2020.

O centro-sul concentra cerca de 70% do PIB agrícola do país e depende dos rios voadores originados na floresta amazônica. Portanto, é possível afirmar que preservar a floresta amazônica é proteger o agronegócio brasileiro.

É urgente analisar e valorizar os serviços ambientais prestados pela floresta amazônica (e outros biomas) antes que o efeito do seu desmatamento seja irreversível.

Bioeconomia florestal preserva a Amazônia e protege o agronegócio

A importância da preservação da Amazônia para o agronegócio está clara. Agora é importante ter em mente que essa preservação pode ser aliada à exploração sustentável do seu potencial econômico. Ou, melhor dizendo, modelos de negócios sustentáveis podem ajudar a preservar a floresta e os seus serviços ambientais.

Um caminho para isso é a criação de negócios capazes de gerar desenvolvimento sustentável sem derrubar uma única árvore, a chamada economia da floresta em pé.

De modo geral, ela se apoia na bioindústrial florestal e na bioeconomia da floresta, que permitem industrializar ativos biológicos por meio de um extrativismo sustentável. Ativos que incluem desde alimentos como o açaí até moléculas para indústrias diversas, os princípios farmacológicos, essências para a indústria cosmética, serviços ambientais, produtos e serviços advindos da biomimética e créditos de carbono.


Foto: Rios voadores na floresta amazônica (Adobe Stock)

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

conteúdos relacionados