Com ILP, fazenda produz carne com emissões 40% inferiores à média

Pecuária de baixo carbono: sistema integrado reduz emissões de fazenda em Rondônia e aumenta a produtividade
ILPF em Mato Grosso. Foto do CNA Senar. agroRESET

Os sistemas integrados, como o ILP (Integração Lavoura Pecuária) são uma das práticas que mais têm sido adotadas no Brasil para descarbonizar a atividade pecuária rumo a um agro ESG. Essa transição para uma pecuária de baixo carbono é um movimento fundamental para o combate às mudanças climáticas.

Alguns dados são importantes para entender essa necessidade.

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Por exemplo, segundo a FAO, cerca de 14% das emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE) são atribuídas à atividade pecuária. O Brasil sendo o detentor do maior rebanho comercial bovino do mundo (218 milhões de animais) tem a responsabilidade de reduzir essas emissões.

Outros dados, que constam em matéria da revista Pesquisa Fapesp, revelam que em 2016 a agropecuária foi responsável por 33,2% das emissões brasileiras. Sendo que o metano liberado pelos ruminantes equivale a 19% das emissões nacionais.

A mesma matéria divulga um case que demonstra como os sistemas integrados têm o potencial de mudar esse cenário para melhor. O agroRESET resumiu o case abaixo.

Fazenda Corumbiara: Sistema ILP produz carne de baixo carbono

Localizada em Rondônia, a Fazenda Corumbiara cria 16 mil cabeças de gado nelore. Seis anos atrás, a fazenda apresentava baixa produtividade e poucas práticas sustentáveis. A área de pasto estava degradada, com erosão cada vez maior. O rebanho bebia água em mananciais situados em Áreas de Preservação Permanente (APP), o que é proibido pela legislação ambiental.

O cenário mudou com a implementação do sistema de Integração Lavoura Pasto (ILP). Nesse sistema, a lavoura e os pastos bem manejados sequestram carbono da atmosfera e compensam as emissões do gado.

Funciona assim: planta-se soja em setembro, que depois é colhida e comercializada. Em fevereiro, planta-se o milho, que é colhido em maio e usado como ração para o rebanho. De junho a agosto a área é então liberada para o gado.

O resultado é animador. Cada tonelada de carne produzida na fazenda Corumbiara gera 11,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e). Esse volume é 40% inferior à média mundial, estimada em 19,9 tCO2e. Os dados foram divulgados em um estudo da ONG Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Atualmente, dos 16,8 mil hectares (ha) da fazenda, 8.400 ha são área útil destinada à agropecuária (o restante não pode ser explorado por lei). 1.850 ha, equivalente a 22% da área útil, são dedicados ao sistema ILP. Outros 1.250 ha da área útil correspondem às Áreas de Preservação Permanente (APP).

O case da Fazenda Corumbiara é mais uma demonstração do potencial que os sistemas integrados têm para descarbonizar a pecuária (e a agricultura) e recuperar pastos degradados. Essa prática tem crescido e se espalhado pelo Brasil, como é o caso da Fazenda Modelo II, localizada em Ribas do Rio Pardo (MS), cujos solos de areia quartzosa eram considerados impróprios para a agricultura e hoje são produtivos.


Foto: ILPF em fazenda no Mato Grosso. (Crédito: CNA Brasil no Visualhunt).

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