“O Brasil é um berço de agroflorestas”

agroflorestas: plantação agroflorestal do Café dos Contos. AgroReset.
  • O Brasil é um país rico em projetos de agroflorestas e muitos produtores têm interesse nesse método de produção;
  • Porém, ainda falta conhecimento específico sobre o tema e empresas que forneçam assistência técnica;
  • Empreender na área exige muito estudo e paciência com diferentes tipos de manejos.

“Dá para dizer que o Brasil é um berço de agroflorestas. Existem muitas iniciativas bem sucedidas nesse campo. Há um momento de efervescência desse tipo de agricultura no Brasil. A gente vê isso chamando cada vez mais a atenção de produtores e de empresas”.

A afirmação acima é de Paulo Araújo, um dos proprietários do Café dos Contos, marca de café agroflorestal do sul de Minas Gerais. AgroReset conversou com ele e sua sócia, Mariana Mota, para entender o cenário atual do desenvolvimento dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) no país.

“Há um apelo mundial. É um novo sistema produtivo que está na pauta da mudança de paradigma na agricultura. O Brasil tem sido pioneiro. Existem muitas iniciativas de agrofloresta em todas as regiões do Brasil, como no Distrito Federal, Amazônia e Paraná”, explica Mariana.

Há interesse, mas faltam conhecimento e assistência técnica

Mariana e Paulo comentam que, quando falam sobre Sistemas Agroflorestais (SAFs) com produtores de cooperativas e associações, sempre notam um grande interesse pela prática. Porém, a maioria dos interessados não sabe como começar. Além disso, existem ainda poucas empresas que prestam assistência técnica especializada (como é o caso da PRETATERRA).

Para ajudar a atender essa necessidade de conhecimento, o Café dos Contos criou em 2021 um centro de pesquisa no sítio em que faz a sua produção.

O objetivo é ajudar produtores a entender como funcionam as agroflorestas e levar a eles respostas sobre desempenho ambiental e econômico. O que inclui entender quanto custa implantar e manter uma agrofloresta, qual é o seu potencial econômico, quais são os ganhos ambientais e os desafios desse método de produção.

“Hoje existe uma deficiência de modo geral. Há uma demanda muito aquecida por esse tipo de manejo, mas não há uma oferta no mesmo nível de pessoas que estão oferecendo capacitação. Então há toda uma oportunidade para quem oferecer isso”, diz Paulo.

Dicas para quem quer empreender com agroflorestas

Para quem quer começar a empreender em Sistemas Agroflorestais, os dois sócios recomendam cautela.

Advertem que o empreendedor não se guie pela empolgação. E que, antes de começar qualquer cultivo, se prepare para entender o que irá fazer. Ou seja, deve investir muito no seu conhecimento, por meio de cursos, livros e vivências, antes de investir o seu capital e o seu tempo.

Afinal, as agroflorestas possuem características e desafios bastante diferentes da agricultura tradicional ou da agricultura orgânica. Por exemplo, a diversidade de espécies que são cultivadas em consórcio e como elas se relacionam entre si. Se a área de cultivo contiver vinte espécies, haverá vinte manejos para se fazer.Muito diferente de se produzir em monocultura. Então é necessário haver um planejamento técnico robusto para dar conta de tudo.

Para Paulo, “agrofloresta é muito empolgante. É uma coisa que apaixona mesmo. Dá vontade de fazer muita coisa e muito rápido.Tem pessoas que querem fazer no impulso.Vendem tudo o que tem, compram uma terra e investem tudo lá. Não é assim. Tem que fazer com prudência e muito planejamento.”

“Vai devagar, um hectare por vez. Quando a gente comprou o sítio, queríamos plantar café em tudo. Ainda bem que a gente não fez isso. Ou já teríamos falido”, conclui Mariana.


Foto: Divulgação (Café dos Contos)

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