O que é agro ESG?

Fundamentado em práticas regenerativas e sociais, o agro ESG gera resultado financeiro com impacto positivo sobre o ambiente e a sociedade
Irrigação em fazenda orgânica: exemplo de agro ESG. agroRESET.

O futuro do Brasil como protagonista do desenvolvimento sustentável depende de um agro ESG profundamente consolidado. Mas o que isso significa?

O Brasil é uma das maiores potências mundiais do agronegócio e um dos maiores exportadores de commodities agrícolas. Do agro brasileiro depende a segurança alimentar não apenas do próprio país, mas do mundo. Uma projeção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) conclui que o Brasil precisará aumentar a produção de alimentos em 41% até 2030 para que a oferta de alimentos mundial seja equilibrada.

Como fazer aumentar essa produção sem esgotar os recursos naturais e beneficiando a sociedade? A resposta está justamente na sigla que se tornou popular nos últimos anos: ESG (Environment/ Ambiente, Social e Governança).

A sigla foi mencionada pela primeira vez em 2005 em um relatório da Organização das Nações Unidas intitulado “Who Cares Wins”. O relatório foi o resultado de discussões sobre os impactos do aquecimento global e outros desafios ambientais, das quais participaram 20 instituições financeiras de nove países, incluindo o Brasil.

No relatório constavam diretrizes e recomendações para governança ambiental, social e corporativa. A ideia por trás disso é que a maneira tradicional de se fazer negócios (“business-as-usual”) não funciona mais. Se não houver uma grande transformação na maneira como o mercado opera, o próprio mercado será penalizado. Portanto, ser ESG é uma questão de sobrevivência: do meio-ambiente, da sociedade e da própria economia.

Conforme esse conceito se torna mais aceito e popular, as empresas são pressionadas por governos, investidores e consumidores a se alinhar aos seus princípios. 

Por exemplo, uma pesquisa realizada pela PwC Brasil em 2020 revelou que 47% dos seus respondentes afirmaram que ter acesso a informações ESG de uma empresa é tão importante quanto ter acesso às suas informações financeiras.

segundo uma matéria do Canal Rural, “em junho de 2020, os ativos de fundos de ESG ultrapassaram globalmente a marca de US$ 1 trilhão, alta de 23% em relação ao primeiro trimestre do ano [anterior]”.

Na Europa, o capital que flui para esse tipo de fundos representou quase um terço de todos os fluxos de fundos do continente. Além disso, em 2020 a BlackRock, maior empresa de investimentos do mundo, anunciou que não faria mais negócios com empresas que não estivessem alinhadas aos critérios ESG.

Logo, quem não se alinhar perderá investimento e mercado ou mesmo será penalizado por novas legislações. Por outro lado, quem for protagonista dessa mudança terá vantagens competitivas no mercado.

Por todos esses motivos, o agro brasileiro precisa incorporar cada vez mais a prática do ESG como valor fundamental.

Mas como fazer isso? Entenda o que envolve cada letra da sigla e como isso se aplica ao agronegócio.

Ambiente (Environment)

Neste pilar, a questão central é o combate ao aquecimento global e às mudanças climáticas, provocados pela emissão de gases de efeito estufa, em especial dióxido de carbono.

Envolve também outras questões fundamentais, como a redução da poluição do ar e da água, combate ao desmatamento, preservação e aumento da biodiversidade, uso de energias renováveis, gestão de resíduos sólidos e economia no uso da água, entre outras.

É fundamental aumentar a produtividade sem aumentar as áreas de cultivo e pasto na mesma proporção. Ou até mesmo as reduzindo.

Uma série de inovações tecnológicas possibilitam atingir as metas ambientais do agro. Entre elas: agricultura e pecuária de baixo carbono, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), plantio direto, rotação de culturas e insumos biológicos. Também são importantes sensores, drones, Internet das Coisas, blockchain e outras.

Segundo dados da Embrapa mencionados em matéria da Forbes, os agricultores brasileiros preservam mais vegetação nativa em suas propriedades (20,5% do Brasil) do que todas as Unidades de Conservação juntas (13%). Contudo, esse dado não deve ser usado para justificar o aumento do desmatamento, nem a invasão de territórios indígenas, como se tornou comum.

Não há “licença para desmatar”. O futuro é o aumento da produção com a redução das áreas de cultivo e pasto. É essa estratégia que colocará o agro brasileiro na vanguarda do desenvolvimento sustentável e do ESG.

Social

No agro, o pilar social envolve os trabalhadores rurais, as comunidades no entorno das propriedades rurais e os clientes do agronegócio.

Entre as ações necessárias encontram-se:

  • Respeito às leis trabalhistas e aos direitos humanos;
  • Iniciativas para o bem-estar de trabalhadores e fornecedores;
  • Políticas de inclusão, diversidade e equidade de gênero;
  • Proteção de dados e privacidade;
  • Mensuração do impacto social das atividades rurais.

É importante que fazendas e empresas do agro estimulem a diversidade de suas equipes, oferecendo oportunidades iguais a todos. Assim como se esforçar para que o seu quadro de funcionários e fornecedores se engajem com as metas sociais almejadas.

Em 2021, o agronegócio brasileiro apresentou um saldo positivo de 140,9 mil novas vagas de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. Sendo um setor que tem conseguido empregar mais do que demitir nos últimos anos, ele tem especial importância em garantir justiça social por meio de estratégias trabalhistas adotadas pelas empresas do meio.

Governança

O último pilar do ESG é a Governança. É ela que possibilita a adoção de estratégias e práticas que possibilitam atingir metas ambientais e sociais.

Dentro do conceito de ESG, governança envolve questões como diversidade do conselho, remuneração de executivos, transparência tributária e comunicação, assim como prezar pelas boas relações com instituições públicas e privadas.

Neste pilar, deve-se prever cenários futuros, favoráveis e desfavoráveis, incluindo metas de curto, médio e longo prazos para cada um. Dessa forma, antecipam-se soluções para possíveis riscos ambientais e sociais.

O estudo “Importância da agenda ESG no agronegócio”, publicado pela PwC Brasil em abril de 2021, sugere quais deveriam ser as principais ações desse pilar:

  • Definição de um plano estruturado de sucessão e revisão da estrutura societária;
  • Adoção de boas práticas de governança corporativa: conselho de administração e seus comitês de supervisão, gerenciamento de riscos e compliance;
  • Adoção de práticas ESG — regulações internacionais e nacionais, mudanças de comportamento do consumidor.

Também sugere outras ações:

  • Engajar os acionistas em reflexões sobre oportunidades e desafios. É preciso entender quais são os temas mais relevantes para os acionistas;
  • Assumir o modelo de “jornada”: plano deve respeitar os valores da organização e a velocidade esperada para alcançar os objetivos;
  • Identificar os riscos críticos – aqueles que podem limitar o alcance dos seus objetivos de curto e médio prazos – e responder rapidamente;
  • Respeitar a cultura de confiança nas pessoas: desenvolver um plano de treinamento para incluir os colaboradores que ajudaram a construir a história da organização.

O agro ESG traz vantagens competitivas para empreendedores do setor

Como dito no começo deste artigo, implementar uma estratégia de ESG é fundamental para a própria sobrevivência do agronegócio. Tanto devido à preservação ambiental, como devido ao mercado. Em relação ao mercado, o ESG possibilita quatro vantagens. Veja abaixo.

Taxas de juros menores

Cada vez mais, instituições financeiras oferecem juros menores a empresas sustentáveis, que coloquem em prática iniciativas cujo impacto positivo possa ser mensurado e comprovado.

Acesso a novos mercados

O Brasil é um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo. Contudo, o mercado global pressiona por mais sustentabilidade no setor. Quem não se adequar, pode e vai perder negócios. Quem for realmente ESG poderá ser líder no mercado.

Maior lucratividade

Métodos sustentáveis de produção muitas vezes são mais econômicos para o próprio produtor, reduzindo os seus custos. Além disso, o consumidor moderno tem procurado marcas ambientalmente responsáveis e punido as que não são, deixando de comprar delas.

Novos investidores

Como explicado antes, o conceito de ESG surgiu de debates entre 20 instituições financeiras de nove países. Isso significa que também que grandes investidores estão levando as práticas ambientais, sociais e de governança de empresas para as suas tomadas de decisão de aporte de capital.

O agroRESET defende o agro ESG, fundamentado em práticas regenerativas, rumo à consolidação da bioeconomia no Brasil. Esse é o caminho que tornará o país protagonista do desenvolvimento sustentável global.


Foto: Irrigação em fazenda orgânica (Unsplash).

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