Papayas conecta produtores agroecológicos a empresas e consumidores

Lançado em 2019 em Porto Alegre, startup movimentou R$ 1,3 mi e se expande em Minas Gerais
Papayas - Vale-alimentação estimula a compra de alimentos orgânicos e agroecológicos e apoia pequenos produtores
  • Startup Papayas lançou em 2019 um aplicativo que funciona como vale-alimentação que empresas podem oferecer como benefício a funcionários;
  • O aplicativo pode ser usado para comprar alimentos de uma rede de produtos sustentáveis na Região Metropolitana de Porto Alegre;
  • O negócio apoia 500 famílias da agricultura familiar e mais de 50 mulheres empreendedoras.

“Quando eu fazia estágio, recebia um vale-alimentação, mas não conseguia usá-lo na feira orgânica que eu frequentava. E acabava direcionando o meu consumo para as grandes redes do mercado”.

O relato é da nutricionista Constance Oderich e levanta a questão: como conectar produtores agroecológicos a empresas e seus funcionários para promover uma alimentação saudável e sustentável?

Pensando nisso, ela se uniu à também nutricionista Nicoli Bonalume e ao engenheiro de computação Felipe Souza para fundar a Papayas. O negócio de impacto social lançou em dezembro de 2019 um aplicativo que funciona como um vale-alimentação e meio de pagamento para a compra de alimentos sustentáveis em uma rede credenciada.

A startup começou atendendo a Região Metropolitana de Porto Alegre. Agora, após ser selecionada para o programa de aceleração Seed MG, está se expandindo para o Estado de Minas Gerais. Cerca de um ano e meio após o lançamento do app, a Papayas possui 3200 usuários e movimentou R$ R$ 1,3 milhão em transações.

“Esse mercado [dos vales-alimentação] movimenta R$ 85 bilhões ao ano no Brasil. Parte disso poderia ir para uma rede local de  agricultura familiar ecológica”, diz Nicoli.

Como a Papayas funciona?

Empresas contratam a solução como um benefício e os funcionários usam o aplicativo como meio de pagamento para compras em uma rede de estabelecimentos sustentáveis. A rede inclui produtores, associações e cooperativas, bem como pequenos empreendedores que comercializam e produzem alimentos artesanais e locais.

“É essa cadeia de consumo alternativa e consciente que a gente abraça na nossa rede sustentável”, diz Constance.

Desburocratizando o processo, cobra dos estabelecimentos uma taxa de transação flexível de no máximo 3,5%. Abaixo das bandeiras tradicionais, que cobram de 6% a 15% e elevam os preços para o consumidor final.

Qualquer pessoa pode usar o app como meio de pagamento, não apenas funcionários de empresas que contrataram o vale-alimentação. O usuário pode colocar um saldo via Pix ou boleto e usá-lo para efetuar compras.

Essa opção foi lançada durante a pandemia para acelerar o pagamento, reduzir filas e aglomerações e evitar o contato com cédulas. Para os feirantes, que geralmente aceitam somente dinheiro, foi uma oportunidade para ter um meio alternativo de pagamento sem taxas elevadas.

Educação para incentivar a alimentação saudável

A Papayas oferece também às empresas um programa de educação alimentar e nutricional. 

Isso deveria ser realizado por qualquer empresa que aderisse ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que na década de 70 instituiu o vale-alimentação para incentivar o desenvolvimento econômico e a alimentação saudável. Na prática, em geral as empresas não oferecem esse tipo de atividade.

“É um programa do governo em que as empresas que fornecem o vale-alimentação não pagam os encargos sociais sobre o valor do benefício, mas não entregam o que está previsto”, explica Constance.

As atividades são online e abordam desde temas específicos como saúde até questões mais amplas, como a cadeia do alimento. Os encontros contemplam também as demandas dos funcionários, como orientações sobre alimentação vegana, que está em ascensão e gera curiosidade.

“A gente tem bons retornos disso. Os departamentos de RH reportam que depois da Papayas a comida começa a ser um assunto mais frequente nas empresas. Eles compartilham o que comeram e as receitas”, diz Constance.

90% dos usuários relatam uma melhora nos seus hábitos alimentares e 100% o aumento do consumo de orgânicos.

Apoio à agricultura familiar e a pequenos empreendedores

A startup apoia mais de 500 famílias da agricultura familiar e de 50 mulheres empreendedoras. “Muitos desses negócios locais são liderados por mulheres”, comenta Nicoli.

Constance explica: “tem sido legal porque a nossa rede abraça produtores e pequenos empreendedores e cria um senso de comunidade. Acaba fortalecendo as vendas deles porque no aplicativo o usuário consegue ver aonde comprar”.

O próximo passo é continuar a expandir na região sudeste. Como a sua operação é online, pode escalar conforme a demanda e formar novas redes credenciadas. Com a visibilidade que o negócio está tendo, a Papaya já recebeu contatos de empresas dessa região interessadas em contratá-las.

 “Somos bem pequenos, mas conseguimos um grande resultado”, conclui Nicoli.


Foto de capa: Divulgação.

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