Por que o agronegócio precisa preservar os biomas e seus serviços ambientais?

O agro necessita dos ecossistemas preservados para produzir e lucrar com sustentabilidade
Por que o agronegócio precisa preservar os biomas e seus serviços ambientais. AgroReset
  • A preservação dos biomas brasileiros é vital para a sociedade e o agronegócio, que necessitam dos seus serviços ambientais, como a regulação do clima e regime de chuvas;
  • Por isso, o Brasil deve atingir a meta do desmatamento zero em poucos anos;
  • E criar alternativas para gerar valor econômico para os biomas preservados, como os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e a bioindústria florestal.

A preservação dos biomas brasileiros faz parte da estratégia de agro sustentável defendida pelo AgroReset, como ilustrado em nossa logomarca. Biomas plenamente preservados são vitais para o equilíbrio ambiental. Assim como para a sociedade em geral e para o agronegócio em particular, devido aos serviços ambientais prestados por eles.

Nesta matéria você vai entender o que são serviços ambientais e por que atingir o desmatamento zero em poucos anos é uma meta fundamental para o agronegócio. Assim como conhecerá alguns meios para gerar benefícios econômicos e sociais a partir da preservação plena dos biomas e seus ecossistemas. Leia também a matéria do AgroReset sobre os biomas brasileiros e suas características.

Os biomas são fundamentais para a bioeconomia

A bioeconomia é o ecossistema de negócios sustentáveis a partir dos ativos naturais da biodiversidade, dos serviços ambientais, da terra, do clima e da água.

É uma atividade econômica que inclui as pessoas e valoriza o conhecimento dos povos tradicionais. E os potencializa com ciência, tecnologia e empreendedorismo. Assim, ajuda a preservar os serviços ambientais prestados pela natureza, gerando riqueza e renda a partir dos seus ativos, mantendo a floresta em pé  e os rios fluindo e limpos.

Nela se encontra a oportunidade do Brasil se tornar protagonista na agenda global do desenvolvimento sustentável. É na bioeconomia que está o nosso maior potencial de inovação e de onde surgirão os “nossos Googles, Apples, Amazons e Teslas”.

O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo e tem preservados 61% dos seus biomas, segundo a Embrapa. Manter isso e regenerar a parte degradada é fundamental para a bioeconomia. Contudo, a destruição dos biomas e o avanço do desmatamento reduzem a oportunidade de desenvolvimento desse segmento.

Como alternativa, o AgroReset defende a conversão do agro tradicional para o agro regenerativo. Que, além de manter os biomas preservados, é capaz de regenerar o que já foi degradado e desmatado.

O que são serviços ambientais e por que são importantes para o agro?

Serviços ambientais são todos os processos gerados pela própria natureza que tornam a vida no planeta possível. É o caso, por exemplo, da regulação do clima, da fertilidade do solo, da disponibilidade de água potável e produção de alimentos.

Eles podem ser agrupados em quatro grandes categorias:

  1. Serviços de provisão: alimentos, água doce, madeira etc.;
  2. Serviços de regulação: sequestro de carbono; controle do clima e outros;
  3. Serviços culturais: atividades recreativas, educacionais, religiosas ou estético-paisagísticas;
  4. Serviços de suporte: como ciclagem de nutrientes, formação do solo e dispersão de sementes.

Para o agronegócio, há alguns serviços ambientais que são mais importantes.

Por exemplo, o regime de chuvas, vital para a agricultura. Sabe-se que mais de metade das chuvas da região centro-sul do país, onde se concentra 70% do PIB agrícola brasileiro, são causadas pelos rios voadores que vêm da Amazônia. Conforme o desmatamento nesse bioma avança, a formação dos rios voadores é afetada e chove menos, causando perdas nas lavouras. Portanto, é possível afirmar que proteger a Amazônia é proteger o agronegócio. O mesmo vale para os demais biomas.

Desmatamento zero mantém os serviços ambientais e é benéfico ao agronegócio

Uma vez que se compreendeu a importância da preservação dos biomas e de seus serviços ambientais, torna-se claro que é fundamental atingir a meta do desmatamento zero em poucos anos. Isso é importante para o próprio agronegócio, que sofre perdas devido ao avanço do desmatamento.

Alguns números tornam isso mais evidente. Por exemplo, segundo dados do Imazon, maio de 2021 apresentou o maior desmatamento da Amazônia em 10 anos. Além disso, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concluiu que o custo do desmatamento para o agronegócio é maior do que os ganhos ao se aumentarem as áreas de produção. Se o desmatamento da Amazônia continuar no ritmo atual, o agronegócio vai deixar de ganhar mais de um R$ 1 trilhão até 2050.

O estudo não considerou o impacto do desmatamento dos demais biomas. Logo, pode-se considerar que a perda será ainda maior.

Deve-se considerar também a pressão internacional para zerar o desmatamento. Os principais compradores de produtos agropecuários brasileiros e os maiores fundos de investimentos esperam esse movimento do Brasil. Caso contrário, o país terá dificuldades para exportar. Portanto, são necessárias ações eficazes tanto do governo (ampliando a fiscalização e punindo crimes) como dos produtores, ao preservar as suas reservas legais e adotar práticas sustentáveis na lavoura e no pasto.

Como manter os biomas preservados e gerar benefícios econômicos?

Uma maneira de perseguir a meta do desmatamento zero é atribuir um valor econômico para a preservação plena dos biomas. Isso pode ser feito por meio de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). É possível atribuir um valor financeiro aos serviços prestados pelos ecossistemas e remunerar quem os preserva.

A modalidade de PSA mais conhecida é o mercado de carbono, que tem ganhado força conforme nações e empresas se comprometem em reduzir suas emissões. Há inclusive startups que apostam nas criptomoedas como meio de transacionar esses créditos para financiar projetos florestais e agroflorestais. Existem outras modalidades, como o REDD, que paga pela redução do desmatamento e da degradação florestal. E os créditos de biodiversidade, que recompensam a manutenção da biodiversidade vegetal e animal.

Também é importante investir em tecnologias poupa-terra, como o Plantio Direto, que aumentam a produção de alimentos sem ampliar áreas de cultivo e pastagem. Na bioindústria florestal, que é um meio de industrializar os ativos naturais da floresta por meio de um extrativismo ecológico, mantendo a floresta em pé. E nos Sistemas Agroflorestais (SAFs) que, além de não desmatar quando implantados em terras degradas, ajudam a regenerá-las e a recompor os biomas.


Foto: Pé de buriti no Cerrado (Adobe Stock)

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