Rastreabilidade acelera pagamento por serviços ambientais nas fazendas

Tecnologia ajuda a tornar a preservação ambiental uma atividade lucrativa no meio rural
agricultura regenerativa. Pagamentos por serviços ambientais. agroRESET

Duas matérias anteriores do agroRESET abordaram como a rastreabilidade tem papel fundamental para o ESG no agro, abrindo mercados e proporcionando eficiência, transparência e sustentabilidade. A última matéria desta série explica como a rastreabilidade pode ser adotada para viabilizar o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) em propriedades rurais. Novamente, quem contribuiu com essa pauta foi Andre Maltz Turkienicz, co-fundador & CEO da startup AgTrace, em entrevista exclusiva.

O agroRESET defende que a maneira mais eficiente de se preservar os biomas é tornar a sua conservação uma atividade lucrativa. Uma forma para viabilizar isso é por meio da negociação de créditos de carbono, de recursos hídricos e biodiversidade, por exemplo. Que podem ser usados para remunerar produtores rurais que cumprem a legislação ambiental e conservam as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais de suas propriedades.

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“A partir do momento que eu consigo monitorar toda a cadeia, consigo [entender] como remunerar diferentemente o produtor que respeitou e o que não respeitou as regras do jogo. Afinal das contas, esse benefício tem que fluir até o início da cadeia, que é o produtor. E a rastreabilidade possibilita isso. [Por exemplo] o crédito de carbono. (…) A rastreabilidade ajuda a fazer esse benefício fluir até o início e incentiva que (…) as atividades comecem a ser mais sustentáveis no início também”, explica Andre.

Nesse sentido, com a evolução dos esquemas de Pagamentos por Serviços Ambientais, auxiliada por tecnologias de rastreabilidade, a preservação de APPs e Reservas Legais deixam de ser um passivo para o produtor rural e se tornam um ativo. Em alguns casos, podem até se tornarem mais rentáveis do que a própria produção agropecuária e inclusive incentivar a conservação de áreas das propriedades rurais que poderiam ser desmatadas legalmente.

“O produtor tem que (…) fazer a matemática e entender que a floresta que ele tem em pé, que ele poderia desmatar legalmente, vale mais em pé do que virando produção. Seja por geração de crédito de carbono, pelo pagamento de um prêmio em cima do produto que ele está produzindo… isso tem que valer mais em pé do que virando a produção. No curto, médio e longo prazo tem que se entender isso”.

Projeto-piloto permite remunerar produtores que preservam suas propriedades

Em parceria com outras três empresas, a AgTrace está trabalhando em um projeto-piloto de Pagamento por Serviços Ambientais no bioma do Cerrado. Chamado IPT, o projeto integra informações variadas, como geração de créditos de carbono e atividades diversas que o produtor rural faz para a conservação e preservação, como a prevenção de incêndio florestal, por exemplo.

Enquanto a AgTrace disponibiliza a sua solução de rastreabilidade, a Brain Egg é responsável pelo checking socioambiental das propriedades, a 1 Grau e Meio realiza a detecção de incêndio e respostas de brigadas, enquanto a BRCarbon é responsável pelos protocolos de crédito de carbono, sejam gerados por projetos de restauração ou de preservação.

“Tudo isso a gente entrega em um selo único e atrelamos [esses benefícios] à produção para realmente diferenciá-la. E, claro, acima disso, tem a própria geração de crédito de carbono como instrumento financeiro”.

Sobre a parceria dessas quatro empresas neste projeto, Andre comenta:

“Uma coisa que o mundo das agtechs, do agro, tem que evoluir cada vez mais é o trabalho colaborativo dentre as empresas. Em setores mais desenvolvidos, de fintech ou de e-commerce, você vê essas empresas já nascendo com conceito de integração, de compartilhamento de informação. Acho que o mercado agtech vai cada vez mais evoluir para isso. Porque há informações valiosas em cada ponto e a rastreabilidade acaba sendo, vamos dizer, um barramento de informações. É como se fosse um varal de pendurar roupas, mas é um varal de pendurar informações. Não necessariamente a informação é gerada pela empresa, a informação pode ser gerada por um outro sistema, só que a gente conecta isso através da rastreabilidade.”


Foto: Roman Synkevych 🇺🇦 no Unsplash.

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