Rastreabilidade é um caminho para o ESG no agro

Tecnologia é importante para comprovar produção sustentável e socialmente responsável, abrir mercados e melhorar a imagem do agro, explica CEO da AgTrace
rastreabilidade e esg no agro. agroRESET

Tecnologias de rastreabilidade estão se tornando cada vez mais comuns no agronegócio proporcionando eficiência, transparência e sustentabilidade ao setor, como explicado em matéria anterior. Além disso, também ajuda a melhorar a imagem do agro brasileiro e a abrir mercados que hoje pressionam por uma produção mais sustentável, em um paradigma ESG.

Quem explica é Andre Maltz Turkienicz, co-fundador & CEO da startup AgTrace, em entrevista exclusiva para o agroRESET.

“A informação [proporcionada pela rastreabilidade] acaba destravando uma série de mercados, o próprio mercado de ESG (…). A grande barreira para o crescimento e adoção maior do ESG ainda é a ausência de dados. (…) Como eu comprovo que de fato esse investimento em ESG? O consumidor final já não está mais satisfeito com uma etiqueta dizendo que aquele produto é sustentável em respeito às regras socioambientais. Ele quer prova disso. Então a rastreabilidade vem muito para trazer isso”, explica.

A rastreabilidade como uma tecnologia essencial para impulsionar o padrão ESG no agro já é uma realidade. Pois os maiores compradores globais de commodities brasileiras pressionam nesse sentido. A pressão vai desde as trades e dos exportadores até chegar nos produtores, que precisam comprovar que a sua produção não vem de área de desmatamento, nem adotou trabalho análogo à escravidão ou trabalho infantil, por exemplo. 

Por isso, a rastreabilidade está se tornando um pré-requisito para acessar o mercado.

“É claro que há variações de acordo com o tipo de produto que a gente está falando. (…) Mas a gente vê a pressão que existe hoje para vários biomas, não só Amazônia, mas muito forte no cerrado também. (…) Porque são áreas que sofrem mais com a questão do desmatamento. Há uma pressão para mostrar a origem e a procedência deste produto.”

Uma barreira para acessar mercados é a imagem do agro brasileiro, que tradicionalmente encontra dificuldade em divulgar e comprovar exemplos de boas práticas sociais e ambientais. Para comunicar ao público esses bons exemplos e melhorar a imagem do setor são necessários dados confiáveis e verificáveis. Nesse quesito, a rastreabilidade tem papel importante.

André conclui:

“Não basta fazer certo, tem que fazer e mostrar. (…) Quem vive do agro e caminha pelo agro sabe que a gente tem muito mais a ensinar do que ser criticado. Essa é a verdade. E a gente tem a capacidade para isso. [Temos] um dos agros mais sustentáveis, senão o mais sustentável do mundo, e a gente tem que mostrar isso”.

Essa foi a segunda de uma série de três matérias sobre a importância da rastreabilidade para o agro ESG. Na terceira e última será abordado o uso dessa tecnologia para dinamizar o mercado de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) a produtores que preservam suas Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente (APP).

Foto: ja ma no Unsplash.

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