manifesto agroreset

O Brasil contemporâneo vive um período de “esquizofrenia” entre o país real e o virtual.

Existe aqui, virtualmente, tudo para sermos uma biopotência: capital, tecnologia, empreendedorismo, saber técnico, formação de cérebros, espaço físico e natural, consciência popular e do mercado. O Brasil pode ser uma potência agroambiental contemplada pela maior diversidade biológica, a maior floresta, a maior bacia hidrográfica, a maior área agriculturável, por um dos agros mais fortes do mundo, por uma forte indústria de alimentos e por sólidas instituições científicas.

No plano real, contudo, ainda agimos como uma república atrasada e impotente quando acontece um retrocesso ambiental como acontece na atual administração federal, na forma da onda de desmatamentos e queimadas por trás de uma cortina de fumaça de desinformação, incerteza e ignorância. A polarização não dá espaço para a racionalização do não tanto ao céu nem tanto à terra, nos congelando em inércia retórica e nos atolando na fantasia preguiçosa do caos inevitável.

Ficamos ainda claudicantes diante de um futuro de alternativas mais viáveis, literalmente materializado à nossa frente, e atônitos diante das “tempestades perfeitas” que caem sobre nossas cabeças, fruto de uma simbiose natural entre a nossa inação e o oportunismo de um mundo que não para de girar. Isso pode e deve mudar diante da janela de oportunidade que se apresenta com a publicidade gratuita de nossos erros, mas que deve fomentar a apresentação de soluções inovadoras.

Por ser essa uma fase de reformas ético-culturais que surfam em eventos traumáticos e, alguns, necessários – reformas essas que provocam uma transição política às vezes truculenta e que nos deixa mais na defensiva – é que se propõe uma aliança. Uma ampla aliança de frentes realizadoras seguindo o Norte de uma bússola produtiva, consciente e sustentável, sem desvios, simples assim. A pandemia coloca ainda mais holofotes sobre o desenvolvimento sustentável, até porque vem aí os maiores impactos das mudanças climáticas.

É à frente, com ação e sem jeitinhos, que está o tão almejado futuro do país, inclusive com o desenvolvimento de uma bioeconomia pujante ao lado da parte boa e sofisticada do agronegócio e que tem quase todos os seus “insumos” à disposição, faltando apenas a atitude política que acolha os valores dos novos paradigmas da sociedade sustentável 4.0 e da economia regenerativa. O mercado já caminha a passos largos.

A bioeconomia tem como foco conceitual e prático agregar valor ao ativo da biodiversidade e dos serviços ambientais, mas também da água, das terras e do clima, de modo a gerar inovação, riqueza, inclusão social e renda. Um modelo bioeconômico deve inserir esses ativos a uma matriz econômica 4.0, incluindo o cidadão local e seu conhecimento ancestral por meio da capacitação empresarial e agregação das ferramentas da Quarta Revolução Industrial, mantendo a floresta em pé e os rios fluindo como patrimônio soberano e equilibrado.

Uma aliança pelo fomento da Bioeconomia, com cerne na plataforma Agroreset de comunicação, articulação, geração de negócios e engajamento, não tem um sentido mitigatório como nos pactos tradicionais da nossa política, mas impulsiona uma convergência vigorosa e sinérgica entre a ciência, a produção e o socioambiental.

Cada um dos vértices desse triângulo tem ativos exclusivos, complementares e interdependentes. O foco da bioeconomia nos disponibiliza uma gama enorme de produtos, processos e serviços com variados graus de valor agregado. Incorpora o conhecimento e a cidadania das pessoas comuns que vivem em nossos biomas, associado à sua capacitação empresarial e ao conhecimento científico da Quarta Revolução Industrial (“ciência 4.0”).

Pelo lado da produção, a parte moderna do agronegócio brasileiro é um exemplo único da aliança entre a ciência, a tecnologia e os negócios, condição sine qua non para um país desenvolvido e equilibrado. E já está, em grande parte, enxergando as questões socioambientais como valor competitivo e não apenas uma dificuldade a ser superada, corroborado pelo fato de crescer mais por sua eficiência e produtividade do que pelo incremento de área física, assim aumentando o PIB, a produção e o trabalho, mas sem gerar a supressão de ecossistemas e mitigando seu impacto, cada vez mais. Esse segmento está bem organizado pela relativa estabilidade ao longo dos altos e baixos gerenciais do país, tem sua própria ciência assegurada pelo sucesso da Embrapa e do sistema universitário e está capitalizado por anos de ofertas e demandas que quase nenhum outro país pode atender.  É claro que há projetos e projetos, uns mais avançados e outros mais atrasados quanto ao seu valor socioambiental, mas existe possibilidade, vontade e capacidade para migrar, gradativamente, para um agro predominantemente regenerativo.

Essas características o credenciam para uma parceria natural com a bioeconomia, especialmente em casos como o do açaí (que gera cerca de US$ 15 bilhões, sendo que apenas cerca de US$ 1,5 bilhão fica aqui, na Amazônia) e sua miríade de “cases irmãos” no segmento de alimentação à espera da sofisticação no desenvolvimento de sua exploração racional. Além disso, os sistemas agroflorestais e a agricultura orgânica formam um NÚCLEO DE INTERSECÇÃO altamente estratégico entre o agro e o bioeco, ao possibilitar o aumento do valor econômico e escala em ambos, superando a participação atual do agro de cerca de ¼ do produto interno bruto no Brasil e sua participação no mundo.

O hub Agroreset é uma instância privada que tem a visão de articular e engajar pessoas, capitais, investimentos, empresas, empreendedores, cientistas, instituições, organizações sociais e governos frente às oportunidades socioambientais e de desenvolvimento inclusivo, de maneira sinérgica ao conformar o desenvolvimento sustentável na prática e com o maior valor agregado no Brasil. A missão do Agroreset é ser um hub de parcerias e coautoria de um modelo de desenvolvimento para o Brasil calcado no aproveitamento sustentável da biodiversidade e dos serviços ambientais centrada em uma ciência forte, rica e respeitada e em parceria com um agronegócio sofisticado, sustentável e que atenda saudavelmente às demandas do mundo por alimentos, fármacos, novos materiais, nutracêuticos e outros produtos da biomimética, processos e inovações de ponta.

A operação da organização atua na discussão do tema com ícones da ciência, tecnologia, agronegócio, ambientalistas consagrados, empresários e outros players que enxergam a questão ambiental e o desenvolvimento como uma convergência produtiva e geradora de inovação e riquezas de maneira socialmente inclusiva e ambientalmente saudável, com a preservação da biodiversidade e dos serviços ambientais garantidas pela prerrogativa patrimonial que têm para o povo brasileiro e como um forte impulsionador do equilíbrio climático global.

Serão gerados, gerenciados e curados conteúdos próprios e de outras esferas de interesse para o tema e seus players, com a construção de uma plataforma digital e todas as suas interfaces relevantes para o aprofundamento desse caminho e a constante troca e atualização sobre os rumos da bioeconomia para a sustentabilidade. Produções audiovisuais, canais da grande mídia e segmentados estão sendo vislumbrados e parcerias negociadas para trazer o máximo de relevância ao tema e ao Agroreset, prestação de serviços e assistência técnica, assim como rodas de negócios, contribuindo para a elaboração de uma política de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, para outros biomas e para o país.

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