Café se torna aliado do meio-ambiente

Cultivado organicamente e em agroflorestas, cultura do café preserva a floresta e sequestra carbono da atmosfera
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  • A cafeicultura já foi um grande vetor de desmatamento no país, principalmente na década de 70;
  • Atualmente, o setor vive uma tendência de reversão e 15% da produção já é sustentável;
  • O cultivo de café em Sistemas Orgânicos e em Sistemas Agroflorestais (SAFs) tem aumentado, contribuindo para essa tendência da sustentabilidade na sua cadeia produtiva.

Tendo produzido cerca de 63 milhões de sacas beneficiadas de café arábica e conilon em 2020, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Para chegar a esse nível de produção, a cafeicultura foi um grande vetor de desmatamento, principalmente na década de 70.

Contudo, novas técnicas de agricultura sustentável e regenerativa podem torná-lo um aliado da preservação ambiental e do combate ao desmatamento e às mudanças climáticas. Atualmente, o café sustentável já representa 15% da safra brasileira, segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Na última década, o café passou a ser cultivado em sistemas agroflorestais (SAFs) em Rondônia, quinto maior produtor do país. Aliando sustentabilidade à produtividade e ao lucro, aos poucos a prática passou a se espalhar pelos demais estados que compõem o bioma amazônico.

Além disso, a produção de café orgânico também tem se tornado comum no Brasil, com várias marcas sendo vendidas em grandes redes de supermercados e cada vez mais procuradas pelos consumidores. Que se dispõem a pagar mais por um produto sustentável e saudável, cultivado sem o uso de agrotóxicos.

O cultivo de café em agroflorestas regenerativas contribui para frear o desmatamento e recuperar áreas degradadas. Além disso, tanto as agroflorestas como a agricultura orgânica mantêm a resiliência do solo e sequestram carbono, importante para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global (e possibilitando que fazendas vendam créditos de carbono e tenham mais uma fonte de receita).

Conheça três exemplos de produção de café agroflorestal e orgânico na Amazônia e no Cerrado Mineiro, que contribuem para tornar sustentável a cadeia de valor da cafeicultura.

Café Apuí produz o primeiro café agroflorestal da Amazônia

O que começou em 2014 como um projeto do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) no município de Apuí (AM), hoje é uma marca reconhecida internacionalmente: o Café Apuí. O projeto cultiva café em agroflorestas implantadas em áreas que anteriormente haviam sido degradadas pela agropecuária predatória e incentiva a agricultura familiar.

Os resultados são animadores. A produtividade aumentou de seis a sete sacas por hectare para 15 sacas na mesma área. Também são gerados créditos de carbono comercializados no mercado voluntário. Tudo isso garante uma renda de até R$ 5 mil por hectare para as 30 famílias envolvidas no processo.

Esse sucesso inicial permitirá expandir o projeto para 395 hectares, envolvendo 160 famílias.

Na pandemia, a marca tem apostado no e-commerce para aumentar as suas. Além de comercializar o produto pelo Mercado Livre, foi lançado um site de vendas próprio.

No cerrado mineiro, projeto fomenta o cultivo resistente às mudanças climáticas

Como proteger a cultura do café dos efeitos das mudanças climáticas, como a estiagem? Pensando nisso, o Consórcio Cerrado das Águas (plataforma colaborativa que visa a conservação dos serviços ecossistêmicos que atua, envolvendo empresas, governo e a sociedade civil) lançou em janeiro de 2020 o Programa de Investimento no Produtor Consciente.

A iniciativa, que começou no município de Patrocínio (MG), envolve o diagnóstico das áreas, a agricultura baseada no clima e a gestão eficiente dos recursos hídricos. Seu objetivo é manter a produção de café mesmo em momentos de escassez hídrica.

Até 2023, o consórcio pretende expandir esse projeto para outros municípios da região, como Serra do Salitre, Monte Carmelo, Rio Paranaíba, Carmo do Paranaíba, Araguari e Coromandel.

Daterra Sustainable Coffee: pioneira na produção de café orgânico

Fundada em 1976, a Daterra é uma das pioneiras na produção de café orgânico e já investia em agricultura sustentável quando o conceito era praticamente desconhecido no Brasil.

Os fornecedores da empresa são pequenos produtores proprietários de 216 mini-fazendas de 5 a 15 hectares na cidade de Patrocínio (MG) que adotam técnicas sustentáveis de agricultura orgânica. As ações da Daterra geram benefícios ambientais importantes, como uma área total de 3250 hectares de preservação ambiental, 150 mil árvores replantadas e 14 mil toneladas de compostagem orgânica gerada até o momento.

As técnicas de agricultura sustentável da empresa lhe renderam importantes reconhecimentos:

– É a primeira fazenda certificada pela Rainforest Alliance do Brasil;

– Reconhecida como Modelo de Fazenda Sustentável, pela Illy Café em 2008;

– 1ª Fazenda a ser verificada como Amiga do Clima pelo Módulo Clima, da Rede de Agricultura Sustentável (SAN) na América do Sul;

– Vencedora do “Prêmio Fazenda Sustentável 2015” da Revista Globo Rural, sendo considerada a fazenda mais sustentável do Brasil.


Foto: Plantação de café (Sistema CNA/ Senar)

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