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Cacau gera desenvolvimento sustentável da Amazônia

No Pará, o fruto é produzido com sustentabilidade e pode tornar o Brasil protagonista no mercado mundial

Estudo conduzido pela Embrapa Amazônia Oriental concluiu que a expansão do cultivo de cacau é sustentável e benéfica ao bioma amazônico. A pesquisa, intitulada “A expansão sustentável do cacau (Theobroma cacao) no estado do Pará e sua contribuição para a recuperação de áreas degradadas e redução do fogo”,  mapeou propriedades no Pará, o maior produtor nacional do fruto, cruzando imagens de satélite, dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e pesquisas de campo.

O mapeamento conclui que o fruto está presente em 26 municípios paraenses, totalizando 70 mil hectares (até 2019). 99,54% dessa área não apresenta problemas em relação a áreas protegidas. A maior parte do cultivo se dá em pequenas propriedades por meio da agricultura familiar.

“Mapear e monitorar a plantação de cacau por meio de imagens de sensores ópticos foi um desafio devido às características botânicas e arbóreas que normalmente são confundidas com áreas de capoeira (vegetação secundária) e floresta, pois o cacau normalmente é cultivado no subbosque sombreado pela floresta”, diz Adriano Venturieri, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e principal autor do estudo.

O vídeo a seguir aborda os principais pontos do estudo, que são detalhados na continuação desta matéria.

Produção de cacau regenera o bioma amazônico no Pará

A expansão do cacau não está ligada ao desmatamento da floresta amazônica. Pelo contrário, a atividade é importante para a regeneração do bioma. Alguns dados importantes evidenciam essa conclusão.

88,7% da área cacaueira plantada já havia sido desmatada até o ano de 2008, quando foi aprovado o atual Código Florestal brasileiro. Além disso, 70% do cultivo ocupa áreas degradadas e de pastagens.

A maior parte da produção é realizada por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs), conhecidos pelos seus benefícios ambientais (regeneração de biomas, captura de carbono), sociais (oportunidades de renda e trabalho decente) e econômicos (lucratividade e arrecadação de impostos).

Nesse sistema, o cacau é plantado com sombreamento e não a pleno sol, o que ajuda a preservar a biodiversidade da floresta e a evitar o desmatamento. De fato, o mapeamento também conclui que nas propriedades em que o cacau está presente há menos desmatamento e queimadas, se comparado a propriedades em que o fruto não é cultivado.

“Isso nos mostra que o cacau, majoritariamente, não está avançando sobre novas áreas de floresta. Ele está ocupando áreas já degradadas e ainda o subbosque de florestas que não foram desmatadas integralmente”, diz Venturieri.

Pará produz metade do cacau brasileiro

O estado do Pará produz 50% do cacau brasileiro e está entre os dez maiores produtores do mundo.

Em 2020/2021, o Brasil produziu 270 mil toneladas de amêndoas de cacau (Theobroma cacao), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 150 mil toneladas foram produzidas na Região Norte, tendo sido o Pará responsável por 96% do total regional. Com essa produção expressiva, o fruto movimentou cerca de R$ 2 bilhões no estado em 2020 (IBGE/PAM 2021).

A cadeia produtiva do cacau tem crescido e se fortalecido no estado desde a década de 70.

Segundo José Raul Guimarães, superintendente regional no Pará e Amazonas da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac):

 “Em 1970, o Pará tinha 570 produtores de cacau, hoje são quase 30 mil. Isso significa que o estado ao longo dessas décadas incorporou anualmente cerca de 1.500 a 2 mil novos produtores à cadeia produtiva.”

Cacau sustentável pode tornar o Brasil um dos maiores players do mercado mundial

A alta produtividade, a sustentabilidade e o retorno financeiro representam uma oportunidade para se criar uma marca sustentável do cacau paraense. Os dados apresentados pelo estudo da Embrapa Amazônia Oriental mostram que o estado é promissor como fornecedor de cacau sustentável para o mundo.

Para Pedro Ronca, engenheiro agrônomo e gerente da CocoaAction Brasil:

“Estamos num momento muito positivo para tornar novamente o Brasil um big player no mercado mundial do cacau”.

Segundo ele, um passo para atingir essa meta é ampliar a produtividade média do país, atualmente de 300 kg por hectare. No Pará, a média está bem acima da nacional: 970 a mil kg por hectare. E, ainda segundo Ronca, é possível ampliar essa produtividade com material genético, tecnologia e áreas disponíveis na região.

“Tem muito espaço para ampliar a produção no Pará e tem mercado para comprar essa produção”, conclui.

Com informações da Embrapa.

Foto: Adriano Venturieri

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